O que é esse negócio chamado diabetes?

Não foi necessáriamente isso que eu pensei na primeira vez que eu ouvi sobre diabetes. Confesso que, em minha ignorância, achava que era uma doença de velho ou de gordo adquirida por maus cuidados à saúde. Quando conheci a Elisa, eu já tinha noção da existência de vários tipos de diabetes, inclusive o do tipo 1 (Diabetes Mellitus 1, ou DM1 para os mais chegados). Só que, apesar dessa “noção”, minha ignorância (sempre ela…) me deixava ver apenas a ponta do iceberg. Não que isso seja algo ruim, todos nós somos ignorantes em certos assuntos e como não havia nenhum caso proximo a mim, não havia um motivo aparente para tal conhecimento. E, por causa dessa falta de conhecimento, eu penei um pouco no início do relacionamento. Por isso, o motivo deste post é justamente partilhar um conhecimento básico sobre o assunto.

“Tá, tá… Mas o que é?”

Diabetes é basicamente uma doença caracterizada pelo aumento anormal de glicose no sangue. A glicose é o principal carboidrato usada pelas células do corpo para produzir energia. Mas, como tudo na vida, em excesso causa sérios danos ao corpo.

Existem vários tipos de diabetes, mas os mais comuns  são: tipo 1, tipo 2, gestacional.

Tipo 1: é uma doença auto-imune é adiquirido ao nascer e não existe uma causa aparente. Estudos dizem que é hereditário e pode, ou não, se manifestar a qualquer momento.

Tipo 2: é adquirida principalmente por péssimo estilo de vida maus cuidados à saúde. Sedentarismo, junk food, etc. Estima-se que 60% a 90% dos portadores da doença sejam obesos (dados da SDB). É a chamada doença de “velho e gordo” que todos a maioria conhecem. Porém pode se desenvolver em pessoas jovens e com uma vida saudável. Possui um fator hereditário maior que a DM1.

Gestacional: é adquirida durante a gestação. Pode desaparecer depois do parto ou permanecer.

ps: Se desejar informações mais detalhadas, acesse o site da SBD – Sociedade Brasileira de Diabetes. É um ótimo lugar para começar a desvendar o iceberg. Ou procure um profissional.

“Putz… É grave?”

Depende. O diabetes se não tratado adequadamente, pode causar sérios danos ao organismo. Tipo 1 e gestacional são insuficiências adquiridas por pré-disposição. Se tratadas adequadamente, não há risco aparente. a tipo 2 pode ser considerada mais grave, pois é principalmente adquirida por maus hábitos. Apesar de poder ser tratada, em muitos casos, com dieta e exercícios físicos, como a maioria é sedentária e acima do peso, é preciso uma dose muito maior de força de vontade e auto controle. Se para uma pessoa “saudável” já é difícil manter uma dieta equilibrada ou fazer exercícios regularmente, por vontade própria, imagina quem esta sendo obrigado a ter uma mudança radical no estilo de vida? Se alguém adquirir a tipo 2, pode ter certeza que está fazendo alguma coisa errada e o organismo está avisando que está danificado. Por ser mais grave comum, a tipo 2 recebe uma atenção maior da mídia. E isso causa confusão nas pessoas, já que não é informado sobre os outros tipos. E isso gera preconceitos e estereótipos.

“Estou me sentindo culpado agora… o que posso fazer?”

O maior obstáculo de um diabético é resistir a tentação do doce. Para pessoas do tipo 1 ou até mesmo da gestacional  é até permitido dar umas escapadas (isso, é claro, se estiver com a doeça estável), mas para quem possui  a tipo 2 é terminatemente proibido, pois geralmente estão sob uma dieta rigorosa, então é melhor não arriscar. O ideal é não oferecer, mas se quiser oferecer um doce para um diabético, a primeira coisa que tem que saber é o seu tipo e se ela pode no momento. Não insista e não fale que uma mordidinha não faz mal. Respeito acima de tudo.

“Ok, ok… terei mais cuidado. Vou oferecer apenas salgados.”

Infelizmente não é bem por aí. Apesar de ser chamado de “salgado”, muitos produtos, principalmente os industrializados, possuem açúcar em sua composição. Faça um teste. Da próxima vez que for à um supermercado, leia quais os igredientes que compõem o produto que você normalmente compra. Apesar de parecer complicado, ler os igredientes deveria ser um hábito de todos. Parece bobo, mas saber o que você coloca pra dentro pode fazer a diferença no futuro. E não é só com o açúcar que deve-se tomar cuidado. A quantidade de carboidratos também conta, pois existe um certo limite de consumo diário. Tem a maltodextrina também, que apesar de não ser totalmente confirmada, existem estudos que afirmam que ela tem praticamente o mesmo efeito da glicose.

“Nossa!! Agora você é meu herói!!”

Eu não diria isso. Eu apenas adquiri um conhecimento de convivência necessário não só para com diabéticos, mas também, dependendo do caso, para celiacos (google é seu amigo), intolerantes a lactose, alérgicos, etc. E parece ironia, mas o estilo de vida ideal para um diabético é o estilo de vida mais saudável que tem e que todos deveriam seguir. Por isso, conviver com um diabético não é o fim do mundo, é apenas um upgrade.

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4 pensamentos sobre “O que é esse negócio chamado diabetes?

  1. MUITO LEGAL isso, Luis!!! Voce sabendo abrir mão da sua vontade em nome da saúde e bem-estar da Elisa!!! E qdo percebe, isso nem é tão sacrificante quanto se imaginava!!!
    Parabéns por deixar de ser “ignorante” e eliminar os preconceitos com relação a diabetes!!

  2. Sempre mantive bons hábitos, sou jovem e sou DM2. Não fiz nada de errado com o meu corpo… Sou DM2 por disposição genética. Diabetes gestacional se transforma em DM2 e pode dar as mesmas complicações. DM1 é uma doença auto-imune, assim como Lupus e Esclerose Múltipla, por exemplo e não necessariamente deva ter alguém na família para vc ter. DM1 tb traz complicações se mal cuidada, as mesmas do DM2. DM² acaba recebendo mais atenção da mídia porque 90% dos casos de diabetes é DM2.

  3. Luis, acho louvável a sua iniciativa e gostaria muito de indicá-lo lá no “Viver com Diabetes”, mas vc precisa tomar cuidado ao passar informações médicas. Tem muita informação equivocada aqui neste post. Diabetes tipo 1 não é hereditário, como eu já disse, e não dá só em criança. Não se nasce com DM1. Pode até acontecer, mas é difícil. O organismo, não se sabe ainda porque, em dado momento da vida, pode ser na infância ou na fase adulta, entende as células do pâncreas produtoras de insulina como inimiga, e passa a atacá-las. O exame chamado Anti-Gad pode confirmar se a pessoa é tipo 1. O diabetes tipo 2 não é doença de gordo e velho, nem de gente descuidada, que só come junk food. Pode dar, sim, em pessoas mais jovens, magras e com bons hábitos alimentares. Eu e meu irmão nos encaixamos aqui. Um, diabético desde os 25 anos. Outro, desde os 29. Diabetes tipo 2 tem carga hereditária grande, diferente do que diabetes tipo 1, que não necessariamente precisa ter antecedentes na família. É muito ruim o que vc fez, que foi estigmatizar o portador de um tipo de doença. Não sei se vc vai publicar este comentário, mas…

    • Obrigado por partilhar conhecimento. Realmente me equivoquei em certos pontos e não consegui passar minha idéia de maneira clara. Ainda sou marinheiro de primeira viagem. 🙂 Minha intenção inicial foi dar informações superficiais sem ter que entrar muito em detalhes. Infelizmente isso gera generalismo e estereotipagem. Ao comentar sobre “doença de velho e gordo ou de maus hábitos”, quis expressar de um modo mais comum, por mais preconceituoso que seja, para que fosse de fácil entendimento e mostrar que eu partilhava desta mesma visão a algum tempo atrás. Em minha experiência sobre o diabetes me mostrou que, diferentemente de um portador, meu interesse sobre a doeça é opitativa, dependendo mais da minha vontade pela convivência, ao contrário de um portador que é obrigado a aprender para continuar vivendo normalmente. Por causa dessa “opção” fica mais fácil para mim, que não sou portador, de virar as costas e dizer que não é problema meu. E essa desistência é causada principalmente pela avalanche de informação. No começa foi extremamente difícil para mim pois tinha que buscar informações por mim mesmo, já que a Elisa, por não aceitar a doença, me omitia, ou mesmo, não se interessava muito em obter mais informações. Em minha procura, só encontrei visões de portadores ou de profissionais, porém nenhuma em que eu me encaixava. Eu procurava uma visão mais leiga e muitas vezes ignorante onde eu pudesse me reconhecer e partilhar dos mesmos sentimentos e buscas. E foi por isso que também me animei em escrever este blog. Minha principal intenção é criar interesse e dar um mínimo de informação por mais “errada” que possa parecer, sem afungentar as pessoas. Ninguém, que não esteja ligado diretamente, é obrigado a “ver o iceberg inteiro” de uma vez. A ignorância vai diminuindo aos poucos de acordo com a vontade de cada um. Aos poucos vou intruduzindo informações mais detalhadas, mas sempre nesta visão mais “ignorante”. Vou tentar reescrever alguns pontos para que não fique um post maior do que já está. Peço desculpas se em algum momento ofendi alguém, agradeço pelas informações dadas. Sempre que puder, volte e compartilhe um pouco mais de sua experiência conosco. O intuito deste blog é aprender e gerar interesse. Querendo ou não, meu objetivo está sendo alcançado pois quero mostrar também que não sou detentor de todo conhecimento e tenho muito o que aprender ainda, e que isso não é motivo de vergonha à ninguem.

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