Um grito de socorro

Hoje acordei triste (e que triste é se dar conta disso),  pensei que pudesse ser mau humor, mas ao longo do dia percebi que não era… era tristeza puramente. Uma tristeza que me enchia os olhos de lágrimas a cada palavra de carinho que recebia, a cada história de dor que ouvia, a cada acerto e erro ao longo de um dia cheio de atividades. Uma tristeza que aperta meu peito, que toma conta de cada pedaço de mim…

Soube que não era mau humor, pois consegui rir e brincar com colegas queridas… consegui  trabalhar com cada pessoa que a mim chegou com o mesmo carinho e atenção de sempre (porque amo fazer o que faço). Mas apesar de amar cada momento que tenho, minha tristeza continuava ali… me sinalizando que algo não está legal…

Entrei em contato com este sentimento que me atordoou o dia todo e descobri pedaços de coisas que me entristecem e que tem se acumulado… e quando acumula, mexe com minha glicemia, quando me incomoda, altera meu equilíbrio da diabete (se é que posso chamar assim). Tranquei muito choro ao longo do dia, e não foi por causa de alguma palavra proferida, de alguma atitude que ocorreu hoje, mas por coisas que eu lembrava que estavam acontecendo.

Fico triste quando outras pessoas julgam atitudes nossas, sem nem ao menos se darem ao trabalho de tentar entender os reais motivos que temos, me entristece as pessoas não terem o respeito de nos falarem as coisas sem nos expor, sem nos “apontar” o dedo (publicamente). Me entristece e muito tudo isso.  Como seria melhor se pudéssemos nos ajudar mutuamente, nos enriquecer com palavras construtivas, se pudéssemos e soubéssemos olhar para nós mesmos antes de “crucificar” alguém.

E não excluo a mim disto que estou escrevendo, pois muitas vezes também erro, e erro feio. Mas acredito que quando nos damos conta de algo que não foi produtivo em nossa atitude, podemos ser humildes em pedir desculpas, em nos retratar. (da mesma forma que fizemos a crítica).

Creio porém que o maior motivo de eu estar relatando algo tão íntimo meu aqui, é porque tenho percebido que guardar sentimentos nos faz mal, nos intoxica, nos destrói. Guardar tristezas, raiva, angústias, ansiedade, medos nos faz ficar aprisionados em nós mesmos, nos faz “desequilibrar” nosso organismo.  E isso é bom?! Isso traz algum benefício?!

Não digo que temos que colocar todo este sentimento nosso para fora de qualquer maneira, sem nos importar com o meio onde estamos “descartando” tudo isso. Temos sim que ter respeito com o próximo, ter respeito com o limite do outro, assim como queremos que os outros tenham respeito pelo nosso limite. Porém, guardar sempre sentimentos nos faz “guerrear com nossos órgãos”… afinal, aquilo que nossos lábios não falam, nosso corpo sabiamente dá um jeito de “colocar” para fora.

O que teu corpo tem sinalizado para você? O que tua saúde tem tentado te mostrar?

Não despreze aquilo que tua sabedoria organísmica te traz, não deixe teu corpo ter de gritar por socorro, ter de “sofrer” para você poder se dar conta de teus sentimentos.

Foi em um pedido desesperado do meu corpo que pude me dar conta daquilo que eu mesma estava fazendo com minha saúde: me auto mutilando, me auto flagelando, em detrimento muitas vezes de coisas que nem valiam a pena.

SINTA SEU CORPO… ELE ESTÁ FALANDO COM VOCÊ!

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9 pensamentos sobre “Um grito de socorro

  1. Somos irmãs de tristeza… Respeito e admiro tua coragem e sensibilidade! Conte comigo, amiga querida. Bjs.

  2. Amiga Elise,

    Muito emocionante o teu texto. Uma vez aprendi uma coisa com o Dalai Lama:
    Nunca tenhas raiva de uma pessoa. Se isto ocorrer quem certamente sofrerá serás tu.
    Ao invés de raiva, sinta pena. Neste caso, o mal não te atingirá.
    Não precisas fazer isto por crença, mas tão somente, por lógica daquilo que irá te fazer bem.
    Abraços.

  3. Hummm.. com essas novas (já quase velhas) mídias [twitter, blogs, entre outros] a gente mudou a forma de comunicação. A gente acaba falando muito mais da gente, porque simplesmente a tela está à frente e quase criamos um personagem. Personagem denominado EU. Às vezes o EU que ninguém conhece. Não sei se teria essa “coragem” que tivesse, de colocar tudo isso pra fora, publica porém virtualmente. Venho no caminho inverso. Fechando-me (Não totalmente, evidente. Mas eu “escancarava” tudo, demais). Creio que cada um tem sua fórmula de resolver o excesso interior, mas a verdade máxima: guardar não dá! 🙂 Um beijinho!

  4. Eu fico aqui pensando……
    Todo mundo julga todo mundo.
    Ao receber uma crítica julgamos a pessoa que nos criticou.
    Será que sabemos mesmo receber críticas?
    Será que conseguimos perceber que a crítica é construtiva sim, mas o conteúdo dói tanto em mim que eu prefiro julgar a atitude de quem criticou?????
    Sabe Elisa… quando uma coisa dói tanto assim, tem que ver o que está por traz da crítica/julgamento que recebemos….
    Não sei se me fiz entender.
    Por vezes, quem nos julgou/criticou, mesmo sem saber a real das coisas, disse algo tão real e verdadeiro e que incomoda de tal maneira, que eu acabo odiando aquela pessoa pelo que ela disse !!! A realidade dói demais mesmo, e se essa crítica realmente não tivesse o menor fundamento, certamente vc não teria ficado tão mexida.
    Pense nisso….
    É a mesma coisa quando vc recebe um xingamento, ou te chamam de preguiçosa, fofoqueira, etc… se vc tem plena consciência de que não é nenhuma dessas coisas, entra por um ouvido e sai pelo outro. Não me afeta. Não sou nada disso. Agora o que entra pelo ouvido, fere violentamente a gente.. é pq encontrou fundamento em algum lugar.. é pq realmente eu merecia esse xingamento, sou preguiçosa, sou fofoqueira e não quero admitir!
    Viajei???

    • Cara Nicole, em muitos momentos sim, aquilo que nos fere faz sentido. Porém, muitas são as inverdades e ofenças pronunciadas, que por mais que saibamos não serem verdadeiras doem pela FORMA como são feitas. Não devemos GENERALIZAR desta forma, mesmo porque, mostrar nosso limite ao outro, falando à ele o quanto ele nos “invadiu” NÃO é de maneira nenhuma acreditar que aquilo que ele nos fala é verdadeiro. Acho senso comum demais levar para este lado, mesmo porque, uma coisa é criticar construtivamente ( e aí, isso ocorre em respeito ao outro) e outra coisa, é expor. Se falo que alguém é fofoqueiro diretamente para a pessoa, em particular com certeza é imensamente diferente do que expor esta pessoa falando à outros ( em via pública). O que escrevi é exatamente isto, que devemos repensar nossos atos, porque podemos ser tão “desconhecidos” para nós mesmos, que não medimos a extensão de nossas atitudes e não nos damos conta da nossa falta de reflexão sobre as atitudes tomadas.
      Acho que isto que colocaste, como já citei acima, muitas vezes sem fundamento ( como no caso deste post, que quer trazer a reflexão de COLOCAR sentimos para fora, e não retê-los, e não como falaste, de julgar qualquer outrem), até mesmo porque, é comum demais banalizar atitudes, dizendo que qualquer fato se nos incomodar, é porque nos “serve o chapéu”. É só pensar no seu dia-a-dia, muitas coisas devem te incomodar, sem fazer verdadeiro sentido em seu “estar no mundo”.
      Entendes meu ponto de vista?! Espero que sim…
      um abraço

      • Entendi sim e fiquei contente…
        E ainda acho não que EU não estou GENERALIZANDO nem um pouco…
        Você como profissional da área de psicologia tem toda uma bagagem pra fazer essas análise que acabou de fazer consigo mesma e na resposta pra mim, mas convenhamos, isso não cabe a maior parte da população Brasileira, vai?!
        Eu faço terapia há anos e consigo separar mto bem as coisas, tendo fundamento ou não, sendo verdadeiras ou não…. e fico chateada também pela forma com que as pessoas fazem as coisas sim, sabendo que existe uma outra maneira de se fazer aquilo sem ser prejudicial…. qdo posso fazer algo faço, quando não cabe a mim lamento, não carregarei mais a cruz de mudar o mundo… cuido mais de mim e de quem está ao meu redor !!
        Mas o que eu vejo por aí são pessoas extremamente insatisfeitas com tudo, que não tiram a bunda do sofá pra mudar suas condições, e culpando a tudo e a todos por suas infelicidades….
        Que bom que nós conseguimos colocar nossos sentimento pra fora de forma organizada… e que pensamos muito antes de tomar um a atitude que possa prejudicar alguém… mas somos MINORIA ! Uma minoria que se importa com os próprios sentimentos e os alheios…
        Por isso eu digo mais uma vez… não vale a pena se abater…

  5. Não leve a mal meus comentários. Estou só, como vc, colocando o que sinto pra fora !!! Sem julgar, criticar, nada disso…. é só um ponto de vista de um lado diferente do seu e… do que sinto como leitora !! Combinado??? Pode linkar meu blog aí de novo ! rsss

    • Bom, se somos a minoria eu não sei ( espero que não), mas com certeza, entendo sua posição. Quando falo de generalizar, não é direcionado ( até mesmo porque em muitos momentos eu mesma faço isso com determinados assuntos). Acho que por muito tempo sim, tentei “salvar” o mundo, rs, mas a melhor forma é cuidarmos de nós e de quem amamos, não é mesmo? Obrigada pelos comentários, é importante ter sempre outros pontos de vista e saber a opinião de outras pessoas, creio que só desta forma conseguimos refletir e mudar comportamentos. Obrigada mesmo, sobre o link, estamos arrumando por categorias e linkando aos poucos novamente. 🙂

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