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Diabetes tipo 1 e uma segunda gravidez: nem tudo são flores

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Olá queridos que me leem. Pensei muito se escrevia ou não este post, e decidi que escreveria, visto que, o blog tem ajudado tanta gente neste processo de Diabetes e Gravidez, que me senti mobilizada a compartilhar com vocês esta segunda gestação.

Que uma gestação é diferente da outra, creio que todos saibam, mas confesso que acreditei que seria tão “fácil e simples” como foi à primeira… Mas, para minha frustração ( sim, porque criei expectativas), ela não tem sido tão simples assim.

O início foi de bastante enjoo, vômitos e de um cansaço ( talvez por ter um pequeno em casa, não sei). Então, como não conseguia comer, as glicemias até estavam bem controladas. Passado este período, começou uma fase nova – Infecção urinária de repetição. E como é sabido, infecção e diabetes são duas coisinhas bem complicadas… Glicemias subindo sem muito a fazer, afinal, infecção faz com que ocorra descontrole glicêmico, ainda mais, grávida. Bom… passou… hemoglobina glicada em 5,9%, excelente né?!

Apesar deste processo inicial, não posso reclamar de muita coisa, não necessitei de repouso absoluto, não tive grandes complicações.

Passei por um período de estresse grande nos meses de maio e junho, e este estado emocional alterado, fez com que minhas glicemias subissem bastante… ( e cada mês que passava as doses de insulina lantus e novorapid aumentavam,obviamente pelo aumento da placenta), mesmo comendo salada, frutas e coisas integrais, o emocional influenciou bastante este período, o que fez com que , a Hemoglobina glicada chegasse em 7,1% ( uma média de glicemias em 157mg/dl)…  frustração e sentimento de culpa sem fim… ao ver este resultado, me senti impotente, falha, com medo gigante de Isabel nascer e ter hipoglicemia.  Para quem na primeira gravidez, teve glicada de 5,9% no máximo, este 7,1% destruiu um pedaço de mim.

Falta de dedicação? Falta de cuidado? Falta de esforço?! …

Mesmo comendo corretamente, não consegui manter um resultado melhor… e a consequência?! Líquido amniótico aumentado ( por isso, a barriga está enorme, pois o líquido aumentou bastante , gerando falta de ar, desconforto e muito mais cansaço) … Consequência de um descontrole glicêmico?!  Não acredito que esteja tão ruim, mas compartilho isso aqui para dizer: o mínimo descontrole glicêmico, pode gerar consequências bem complicadas ( aqui ainda não sabemos bem ao certo se é muito preocupante ou não). E uma segunda gestação, exige um esforço triplicado, pois o corpo já passou pelo processo uma vez, consequentemente, já sabe como reagir e isso complica mais.

Placenta produzindo Hormônios contra insulina dificultam muito os controles, mesmo que você tente ser “perfeito” ao longo de toda a gestação.

E não estou compartilhando isso para piedade não, mas para alertar dos riscos, para dizer que mesmo se esforçando muito, as coisas podem sair do controle sem você esperar, e para pedir que , mulheres diabéticas e as não diabéticas que podem vir a desenvolver diabetes gestacional, por favor, se cuidem, tenham responsabilidade e saibam que mesmo com tantos cuidados, podemos sim ter complicações. Diabetes não é brincadeira, e não é frescura! Os cuidados são essenciais, as restrições são sim necessárias, a tranquilidade e a emocionalidade são muito importantes para que tudo transcorra bem!

E sim, você precisa de auxílio, precisa se cercar de pessoas que te ajudem neste processo, que te ajudem a se manter firme, e que possam estar ao teu lado , caso não seja tão perfeito quanto o esperado. É sim uma gestação de ALTO RISCO, e volto a dizer: não é frescura!!!!!!!!

Estamos bem, apesar do líquido aumentado ( e saberemos o  quanto em breve) , conseguimos chegar nas 35 semanas ( quase 36) até o momento , e estamos nos preparando para um parto normal ( sim, um sonho de diabética tipo 1, dar a luz naturalmente, sem intervenções) e se for possível, ter nossa bebê conosco no quarto, logo que nascer, assim como foi com o Lucas Takeo, menino cheio de saúde que veio ao mundo para nos alegrar!

Apesar do sentimento de “não dei conta perfeitamente desta gestação”, meu coração se alegra por tudo estar bem até aqui, se alegra por poder também compartilhar com outras pessoas das dificuldades e alegrias deste momento especial, por poder alertar dos riscos ( que talvez eu só soubesse de ler, mas que hoje sinto na pele) e por poder dividir com quem sonha como eu em ser mãe, que o diabetes é um complicador, mas que podemos sim, sonhar e realizar esta bela vontade de gerar uma vida de forma responsável. E que mesmo tentando dar o seu melhor, as complicações podem surgir e não se culpar por isso, é também essencial!

Por isso, escrevo este post hoje, para me colocar como este ser não perfeito, que teve a primeira gestação super bem, e que na segunda está com um pouco mais de dificuldades, mas que tem fé de que tudo sairá da melhor forma, e de que estes momentos mais apreensivos, não serão nada comparados a alegria de ter nossa família completa!

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Teste Capilar: um exame rápido e simples que pode salvar vidas!

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Hoje estou escrevendo para , além de informar um pouco mais sobre o teste capilar, solicitar o auxílio de quem lê o blog em assinar uma petição para que o teste capilar ( ponta de dedo) seja obrigatório em toda a rede de saúde, em todas emergências médicas, nos atendimentos do SAMU ou de qualquer ambulância.

Explico um pouco mais: Quando alguma pessoa chega a uma emergência médica, ou sofre algum tipo de acidente ( de carro, desmaiar na rua, etc), após todo procedimento médico padrão ( verificar hemorragias, pressão, circulação, etc), furar o dedo e coletar uma gota de sangue para medir a glicemia deveria ser obrigatório. Caso a pessoa atendida esteja passando mal por ser diabética e não souber, ou não esteja em condições de avisar que é diabética ( e não tiver ninguém que saiba disso perto), coletar esta gota de sangue evita que se dê soro glicosado para ela, ou seja, soro com adição de açúcar! Que se for dado a um diabético, pode levar a MORTE!

 

Mais uma criança morreu por falta deste cuidado no atendimento ( http://saudeblog.com.br/menina-diabetica-recebe/). Morreu por ter recebido soro glicosado por estar desidratada ( um dos sintomas de diabetes também), morreu porque ainda não tinha o diagnóstico de Diabetes, e por descuido médico, não ser possível receber o diagnóstico antes de vir a falecer! Triste realidade de nosso país, e não é a primeira criança a morrer por falta deste teste que poderia orientar o tratamento e SALVAR a vida dela.

Pensem nesta situação, pensem nos familiares de vocês e até mesmo em vocês… morrerem por falta de uma única gota de sangue.

Nós blogueiros de Diabetes, estamos na luta para que este teste se torne obrigatório, para que na falta de saber exatamente o que está ocorrendo, não seja dado qualquer tratamento, para que , se tenha cuidado e discernimento para que ninguém mais morra por negligência de algo tão simples, e tão rápido de se fazer!

 

O Teste Capilar ou Ponta de Dedo, para quem não o conhece, funciona da seguinte maneira: é necessário ter o  monitor de glicemia, tiras reagentes, lancetador e lanceta.  Limpasse o dedo ( com álcool ), fura  o dedo já limpo, coleta a gota de sangue na tira reagente e pronto. Em alguns segundos é possível ver no monitor a quantidade de açúcar que temos no sangue.

Segundos que podem salvar vidas!

Por favor! Ajude-nos a salvar vidas, assine a petição, divulgue esta informação. Pequenos detalhes, fazem uma grande diferença!

 

Link para assinatura da petição:http://www.avaaz.org/po/petition/Pela_obrigatoriedade_do_Teste_de_Glicemia_Capilar_em_Hospitais_e_ProntosSocorros/?fHhlUab&pv=1

 

Receita de bolo

Estes dias estava eu , cozinhando… e me dei conta de que não sigo as receitas. Sempre coloco algo que eu considero que vai dar um sabor diferente ao prato, ou um pouco mais do ingrediente que eu gosto, enfim. E as vezes, sigo ao “pé da letra” a receita, e no meu forno, acaba não dando muito certo.

E aí fiquei pensando, nossa, como é estranho ter “receita pronta” para as coisas, como alguém pode saber exatamente aquilo que gosto ou preciso?! E como em muitos momentos, eu mesma sigo uma receita que não é minha.

E isso se ampliou para a vida…  fiquei olhando o post anterior a este, com uma “receita” de alimentação saudável. Ok, concordo que precisamos de um norte as vezes, mas receita pronta não serve para nada além de  dar uma direção, o resto, cada um sabe como, quando e o que fazer para seu organismo , vida, etc.

Foi inevitável pensar em quantas vezes queremos respostas prontas para nossos problemas, o quanto queremos receitas de como viver, de como criar nossos filhos, de como ter uma vida saudável com ou sem diabetes. Gostamos e não gostamos ao mesmo tempo das respostas prontas. Queremos e não queremos ao mesmo tempo, mas é  mais fácil o outro me dizer como fazer né?! E aí eu questiono, será?! Será que é  fácil ou cômodo seguir o que o outro te diz?

Nada na nossa vida tem receita, nada tem um fórmula secreta….quer dizer, fórmula secreta até tem, ouvir seu coração, se conhecer, saber o que é melhor para você ! Conhecer-se é a chave de muitas “receitas”, é o grande presente que temos dia-a-dia. O que serve para o outro, para o filho do outro, para a vida do outro, não é , necessariamente o que serve para você! O alimento que o outro come, a forma de viver, a casa, as roupas, o cabelo do outro, são o que o outro tem e talvez descobriu ser o melhor para ele, e não para a sua vida!

Fico pensando na moda, tantas coisas lindas… mas será que fica bem em você?! Será que é seu estilo?! Se é, ótimo, mas se não é porque ser “escravo” deste “dito pelo outro”?!

Infelizmente, tendemos a não olhar nossa vida com a realidade que ela necessita. Tendemos a deixar passar nossas verdadeiras necessidades, para ser ou estar como o “outro” ( e por outro me refiro a tudo, sociedade, família, amigos, namorado, etc) quer ou deseja que seja.

Queremos nos encaixar em uma forma em que muitas vezes não cabemos, e estar nesta forma, machuca. Machuca de uma forma, muitas vezes, tão dolorida, que não queremos “sair” dela, porque sair  sinaliza uma dor maior… perdemos de vista a cicatrização que ocorre se estamos dispostos a tratar nosso “ferimento” e sair daquele lugar que nos está machucando.

Não precisamos nos encaixar na teoria da “felicidade a todo custo”, e em tantas outras coisas que a vida nos mostra como sendo o melhor.  Precisamos sim, parar um pouco de seguir os “ensinamentos” e refletir mais sobre eles… refletir sobre o que queremos, pensamos, somos.

E  “ser” é tão maior do que o que pensamos, tão maior do que uma resposta pronta. Ser é ter movimento, é estar disposto a mudar, a repensar, a reaprender, a viver, e maior que isso também!

Fico olhando, muitas vezes, o movimento de nós, diabéticos, tentando doutrinar a vida do nosso semelhante diabético, dizer onde está errando, falar o que deve fazer e não deve fazer, mas será que é assim mesmo?! Será que o outro não pode olhar para sua rotina e ver o que lhe cabe e o que não lhe cabe?! Dar um direção é uma coisa, querer fazer dele um igual, é outra. Somos diferentes, e por isso mesmo, únicos. Temos semelhanças, nunca igualdades.

E sim, isso vale para todos, não apenas para os diabéticos. Vale para as mães e pais, para avós, para amigos, para maridos e esposas, para os “patrões” e empregados, enfim…

Gostaria de “escutar” os ecos disto em você que lê o blog… adoraria saber sua opinião sobre o assunto, saber se faz sentido ou não, saber de você!

Beijos ,

Elisa

“É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão”.

Hoje o tempo por aqui está cinzento, chuvoso…com ventinho frio entrando em todos os cômodos da casa.

Enquanto o pequeno dorme, vim para meus livros, estudar, como habitualmente tenho feito… em meio aos livros, ao silêncio que tem ficado na casa, comecei a refletir sobre a vida, as mudanças que acontecem sem a gente esperar, a necessidade de flexibilidade para lidar com tais mudanças e principalmente, com os dias que como hoje, chegam com suas intempéries repentinas.

Sim, nossa vida é cheia de momentos bons, mas também, de momentos de dor, sofrimento, angústias, medos e de problemas com as mais diversas áreas de nossa vida. Costumo dizer no consultório, que se a vida fosse uma linha reta, sem altos e baixos, a gente estaria “morto” … é o sobe e desce da vida, que faz com que ela exista, como nos batimentos cardíacos, um sobe e desce constante para que o coração continue a pulsar. Assim é a vida…ela pulsa!

Uma vida para pulsar depende de vários fatores: comer, beber, dormir, fazer exercícios físicos, trabalhar, estudar, ter amigos… ter dias de sol mas também dias de chuva. Se só existisse o sol, seria muito difícil viver, afinal, sol demais queima, esquenta, desidrata. É necessário que a noite exista para que o cérebro descanse, para que a vida dê uma “parada” no ritmo; é necessário chuva, para hidratar, limpar, levar embora a “sujeira” que existe.

Pois é…todos queremos dias de sol, de alegria, de bons momentos, mas dificilmente nos damos conta de que nosso crescimento maior se dá, quando os problemas aparecem e conseguimos nos aquietar e refletir , pensar, questionar, chorar e elaborar da melhor forma esta ou aquela dificuldade.

Os dias de chuva nos são essenciais… não apenas eles, mas o equilíbrio entre a luz e a sombra de nossas vidas. Se jamais estivermos dispostos a olhar o lado mais sombrio de nossas vidas, não estaremos aptos a crescer e desenvolver aquilo que temos de potencialidades.

Não sei quais são os teus “dias chuvosos”, pode ser o diabetes, pode ser outra doença, problemas financeiros, no casamento, com amigos, ou o que for que esteja acontecendo em tua vida. Tenha certeza de que esta “chuva” tem sim seu lado de sol, e que ela é necessária para que possas olhar a vida de forma realista e encarar os teus dias, com mais calma, abertura e flexibilidade.

Deixo (novamente) a história do Bamboo Chinês. Gosto muito desta história, e não é para menos que o  significado do nome do meu pequeno quer dizer “bambuzal iluminado”.

Espero que , de uma forma ou de outra, esta pequena reflexão possa ter feito algum sentido para alguém que aqui passar!

 

 

História do Bamboo Chinês

Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada por aproximadamente cinco anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo.

Durante cinco anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas uma maciça e fibrosa estrutura de raiz que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída. Então, no final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros. Um escritor de nome Covey escreveu:

“Muitas coisas na vida pessoal são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e às vezes não vê nada por semanas, meses ou anos. Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu quinto ano chegará, e com ele virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava…” O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos e de nossos sonhos…

Em nossos relacionamentos especialmente, que é um projeto fabuloso que envolve mudanças de comportamento, de pensamento, de cultura e de sensibilização,devemos sempre lembrar do bambu chinês para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão. Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida: a Persistência e a Paciência, pois você merece alcançar todos os seus sonhos.

“É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão”.

SER

Descobrindo a pipoca! Simples, mas maravilhoso!

Olá! Faz muito tempo que não passo por aqui… mas hoje gostaria de compartilhar deste texto, de Rubem Alves. Tenho andado longe do mundo virtual em sua maior parte, pois tenho aprendido a viver a realidade com toda a intensidade e beleza que ela me dá! Ter nosso pequeno Lucas Takeo conosco, tem me ensinado muito mais do que eu poderia pensar , me ensinado a valorizar aquilo que verdadeiramente importa: a VIDA!

Muito mais do que ter ( o que o mundo virtual tanto nos mostra), o SER tem me tocado de forma intensa… neste meio fica também muito forte os cuidados com os pequenos detalhes… desde o cuidar do diabetes muito bem cuidado ( para poder desfrutar desta vida por muitos e muitos anos) até experienciar trabalhar menos mas viver muitíssimo mais!

Aprendi a aproveitar o sol ou a chuva para brincar, caminhar, fotografar… apreciar as belezas infindáveis desta natureza encantadora!  Enfim… um dia, escrevo mais sobre isso! Por agora, deixo este texto para vocês! Espero que gostem! Grande beijo para todas as pessoas que aqui passam, em especial, às doces pessoas que tenho conhecido através deste blog!

Educar

 

Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O educador diz: “Veja!”  – e, ao falar, aponta. O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente..E, ficando mais rico interiormente, ele pode sentir mais alegria e dar mais alegria – que é a razão pela  qual vivemos.

Já li muitos livros sobre psicologia da educação, sociologia da educação, filosofia da educação – mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência  à educação do olhar ou à importância do olhar na educação,em qualquer deles.

A primeira tarefa da educação é ensinar a ver…

É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo…Os olhos têm de ser educados para que nossa alegria aumente.

A educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades…Sem a educação das sensibilidades,todas as habilidades são tolas e sem sentido.

Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.

Quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados. Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento:… a capacidade de se assombrar diante do banal. Para as crianças, tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o vôo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Coisas que os eruditos não vêem.

Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos – mas esqueci. Mas nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore… ou para o curioso das simetrias das folhas. Parece que, naquele tempo, as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos decorassem palavras que com a realidade para a qual elas apontam.

As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem… O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. A Caridade, a Compaixão, a Generosidade, e o Cuidado.

Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo,… e o mundo aparece refletido dentro da gente.

Jardins bonitos há muitos, mas só traz alegria o jardim que nascer dentro da gente.

São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver. Elas não têm saberes a transmitir. No entanto, elas sabem o essencial da vida.

Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança jamais será sábio.

Rubem Alves

Valor da vida!

Abra a janela de seu coração e veja a beleza que se esconde dentro dele!

Um lindo dia de sol começa a raiar nesta bela cidade … luzes apagadas, pessoas dormindo e um silêncio nas ruas que habitualmente não “vemos”. O dia começa bem cedo aqui depois que o Lucas nasceu… tenho tido o privilégio de ver o sol nascer, com suas cores sendo espelhadas neste lindo mar que temos na nossa frente! Maravilhas da natureza antes não vistas por estar “ocupada” demais com o sono que não conseguia me deixar despertar.

Tenho pensado muito nos últimos tempos sobre os maravilhosos detalhes da vida que perdemos, que não valorizamos ou que simplesmente deixamos passar em branco por estarmos querendo sempre mais e mais, ou por não termos “tempo” para nos deixar tocar por esta imensidão de cores, sabores, aromas que  a vida nos dá! Nos ocupamos muitas vezes com coisas não necessárias , que não nos acrescentam em nada, que nos fazem perder “tempo” de vida, tempo de convivência, tempo de aproveitar!

Depois que nosso pequeno Lucas Takeo veio ao mundo, me deparei com uma rotina cheia de coisas. Cuidar dele, cuidar da casa, cuidar do meu trabalho( sim estou trabalhando desde que Lucas completou 2 meses), cuidar do diabetes. Dias cheios de atividades que só acabam muito tarde da noite… uma rotina que poderia ser desculpa para  não ter tempo para coisas e pessoas significativas em minha vida.

Mas tem acontecido exatamente o contrário, tenho aprendido a aproveitar cada espaço de tempo que possuo, cada minuto de vida, cada momento agradável ou não do meu dia! Tenho visto o sol nascer e aproveitado para regar minhas plantas, caminhar no sol com o pequeno, tomar um café bem preparado ( amo café da manhã)… e em meio as deliciosas coisas da vida, tenho realizado minhas “tarefas” diárias e cuidado do meu corpo.

Não é fácil ser mãe, esposa, dona-de-casa, profissional e ter diabetes. E não falo isso porque a “doença” em si é meu problema maior, mas porque como diabética tipo 1 preciso ter os cuidados de me alimentar em horários fixos ( ou o mais próximo deles, pois injeto insulina que vai agindo sem meu controle), de fazer exercícios físicos, de ter uma alimentação balanceada ( e portanto fazer estas refeições, o que exige um certo tempo), de medir a glicemia pelo menos 6 vezes ao dia e não esquecer no meio das tarefas todas, de injetar insulina.  Algumas pessoas tem me enviado email pedindo para contar desta rotina de cuidados pós gestação ( e aí tem um post no blog sobre isso), mas escreverei sobre isso em outra oportunidade ( e entenda-se por oportunidade, o Lucas estar dormindo, rsrs).

Mas sabe, tenho aprendido a viver melhor após o nascimento do Lucas, e isso inclui cuidar melhor do diabetes, visto que me sentindo melhor, a glicemia se mantém sem tantas alterações ( também tema para outro post – as emoções e o diabetes).

Aprendi nestes 4 meses que a única coisa que necessitamos verdadeiramente na vida, é ter o coração disposto a amar. A mente aberta ao novo e a possibilidade de tirar o melhor de situações simples. Entendi que a qualidade de tempo que eu passo com as pessoas é mais importante do que a quantidade dele… porque de nada adianta passar 5 horas com um amigo, quando seu coração e alma não estão ali presentes! Aprendi a valorizar pessoas que realmente se importam comigo, não por interesse, mas por amor, amizade, carinho… e a fazer uma “limpeza” naquelas pessoas que nada tem a disponibilizar.

Entendi que dinheiro nenhum no mundo compra minha tranquilidade e que status é para mostrar aos outros o quanto se tem a ilusão de ser melhor, portanto, quem verdadeiramente TEM alguma coisa, não precisa mostrar ou se vangloriar, simplesmente tem e isso basta!

Aprendi que o respeito é a chave fundamental da vida, pois é a partir dele que podemos ser pessoas melhores, em todos os aspectos da nossa vida… se aprendemos a respeitar a nós mesmos e aos demais, deixamos atitudes egoístas se tornarem verdadeiro altruísmo, e isso sim constrói relações melhores e torna nosso dia-a-dia mais iluminado.

Aprendi tanto com alguém tão pequeno, e que tenho a honra de chamar de filho! Tenho muito mais para escrever, pois meu coração transborda de luz e agradecimento por tudo aquilo que tenho podido experimentar na minha nova vida! Mas me contenho em ficar por aqui com este post, pois quero aproveitar o tempo lindo que temos hoje lá fora…

Lembre-se sempre:  A beleza e o valor verdadeiro das coisas não está no preço que elas possuem, nem no objeto que elas são, seu valor e beleza encontra-se nos olhos de quem  vê… pois se os olhos são capazes de reconhecer a beleza e valor da vida, quer dizer que o coração deste alguém que vê está transbordando destes verdadeiros sentimentos.

Um beijo grande em cada um que aqui passa, e até breve!

Respeito é fundamental

Bom dia! Que lindo dia faz aqui em Florianópolis, sol lindo e tempo frio… um outono fantástico. Estamos no Mês de Maio… particularmente, um dos meses que eu mais amo. Pudera né?! É o mês do meu aniversário, mês das mães, mês de orquídeas lindas…

Estou aqui sentada, admirando meu pequeno filhote que  completa 3 meses de vida… uma gratidão que transborda em meus olhos em forma de gotas de amor… gratidão pela vida, gratidão pelos ótimos momentos e também pelos difíceis que já passamos, gratidão até mesmo por esta tal diabetes que me acompanha (e a tantos que me lêem).

Você pode se questionar, como assim gratidão pelo diabetes? Uma coisa tão ruim? Difícil?

E eu digo, sim, gratidão… não pelo fato de ter uma doença crônica, mas pelo simples fato, de que ter diabetes me tornou alguém mais cuidadosa, mais respeitosa, mais humana. Não, não é necessário ter uma doença crônica para aprender tudo isso, mas sinceramente, acredito que o diabetes veio para me ajudar em muitas coisas.

Esta semana, me deparei ( como muitos) com uma nota no Facebook, de uma estudante de medicina que falava sobre o diabetes. Uma nota preconceituosa e descabida de qualquer informação plausível. Um desrespeito sem tamanho com os diabéticos e seus familiares. Depois de passada  a raiva que senti, pude refletir sobre o ocorrido e me dar conta de que a falta de humanidade das pessoas, muito se deve ao fato de não conhecerem, não saberem e pouco se importarem com as necessidades, limitações e deficiências alheias. A dor do outro é menosprezada pelo simples fato de “não sabermos como é”, não nos colocarmos no lugar das pessoas.

Acredito que preconceito é não buscar informações à respeito das coisas, é achar que sabe mais do que os demais, é supor que seus “conhecimentos” são maiores e melhores do que os de outras pessoas.

Ter diabetes me mostrou que a informação é nosso maior aliado, que cuidados com a saúde são BÁSICOS para qualquer pessoa, que ter uma “limitação” não nos impede de ter uma vida “normal” ( e aí questiono o que é normal… porque cada qual tem seus valores e conceitos quanto à isto). Ter diabetes não me impediu de ter um filho saudável, muito pelo contrário, me ajudou a ter uma gestação equilibrada e saudável para o bebê que era gerado, com uma alimentação equilibrada, exercícios físicos e muito cuidado com meu corpo e com o o bebê. Cuidados que qualquer gestante deveria ter, que qualquer pessoa deveria ou poderia seguir. Cuidados de amor que me possibilitaram estar com meu filho logo que ele nasceu, e ter ele todos os dias, sorrindo.

Ter diabetes me fez ter mais respeito e cuidado com as limitações dos outros, porque, se algum amigo vem na minha casa, mas sei que tem alguma limitação ( intolerância à lactose, ao glúten, etc, etc), tenho o cuidado de perguntar o que ele pode comer ( caso eu não saiba) ou de eu mesma procurar me informar sobre a doença para receber esta pessoa de uma melhor forma e ajudá-la a sentir-se confortável mesmo com suas limitações.

Ter diabetes me ensinou a importância de nos amarmos, de nos cuidarmos, por amor à nós mesmos e aos que estão à nossa volta! Ter diabetes me ensinou a compartilhar com os demais e verificar como é para eles esta vivência, pois apesar de termos a mesma “doença” cada um vive e sente ela de uma forma diferente, cada um se adapta e tem reações diferentes, e é exatamente na diferença que crescemos, que nos desenvolvemos.

Obviamente, não foi apenas o diabetes que me ensinou tudo isso, mas coloco aqui o que podemos aprender com uma doença, com uma dificuldade, com uma limitação.

Acredito que o respeito ao outro é fundamental, respeito por suas opiniões, respeito por sua forma de entender as coisas, respeito pelo ser humano que se encontra diante de nós. Mas se não respeitamos à nós mesmos, como podemos respeitar o outro?

Fica a reflexão e a vontade de poder partilhar com você que lê o blog pedaços de uma vida doce  e cheia de novas experiências.

ps. escreveria mais, mas o dever me chama 🙂