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Porque eu não desisto antes de tentar!

Olá! Quanto tempo não é mesmo?! Tenho muita vontade de escrever aqui, muitos assuntos para compartilhar, porém o tempo tem sido bem curto aqui. Afinal…nasceu nossa pequena Isabel Mayumi!

 

Sim, Isabel nasceu no dia 2 de setembro depois de 9 horas e meia de trabalho de parto! Sim, parto normal!!! Nasceu com 4.120kg e 48cm, e antes que falem que ela nasceu grande por causa do diabetes, já explico que não tem nada haver, é genético ser “grandinho” na família.

 

A gestação da Isabel foi tranquila, no início tive hiperemese, depois infecções urinárias  e no final da gestação, líquido amniótico aumentado, o que segundo a endocrinologista e o obstetra, nada tem haver com o diabetes. ( e inicialmente acreditaram que tinha ligação, comprovando com os bons controles e a glicada que não).

Enfim, como na gestação do Lucas, nosso primeiro filho, tudo ocorreu de forma tranquila e super  especial. A diferença foi que o Lucas nasceu com 38 semanas e 3 dias de cesárea, pois não havia encaixado, e o médico achou mais prudente não esperar mais, por conta do diabetes. Nesta segunda gestação, me informei, questionei, e descobri que sim, Diabéticas tipo 1 podem ter parto normal e podem sim esperar até o prazo de 40 semanas ( não mais que isso),  caso as glicemias estejam bem controladas, e nenhuma intercorrência tenha acontecido.

Posso dizer com todas as letras:  Estou muito feliz, muito orgulhosa e muito completa por ter tido a Isabel no tempo dela, com 39 semanas, de parto normal. Aliás, no dia que Isabel nasceu, tiveram 19 cesárias na maternidade e somente ela de parto normal, mesmo pesando 4.120kg. Nem preciso dizer que viramos “atração” da maternidade né?! E todos que passam por nós diziam: “Mas você tão pequena ( supostamente magra) teve um bebê tão grande?”. Pois é… sim, EU TIVE! VENCI, CONSEGUI! Aliás, CONSEGUIMOS, porque o maridão estava lá, o tempo todo apoiando e acarinhando!

Comecei a sentir cólicas lá pelas 9 horas da manhã, daquela segunda-feira ensolarada. Comecei a prestar atenção na dorzinha que vinha e ia embora… pensando se essas seriam as tais contrações de parto. Fiz minhas coisas, brinquei um pouco com Lucas, passei aspirador ( kkk) e as dorzinhas começaram a aumentar. Lá pelas 11 horas da manhã, decidi avisar o Luis, afinal, não poderia ser alarme falso. A emoção começou a ficar a flor da pele, e eu só conseguia pensar: PREPARA, CHEGOU A HORA!

Como estava um pouco enjoada, só havia tomado café da manhã, e não apliquei a insulina, visto que só aplico às 12 horas. Sabia que não ia conseguir comer nada por causa do enjoo, então, decidi que não aplicaria a insulina.

Luis chegou pálido, correndo e cheio de emoção. Carregou o carro, e fomos em direção a maternidade…ah… a maternidade parecia não chegar nunca, e as contrações aumentando. Chegamos à emergência, fui examinada, 5 cm de dilatação. Hora de “internar”… médica avisada, e ela pediu para o Luis comprar um Gatorade para eu ir bebendo durante o trabalho de parto, para evitar a hipoglicemia, tão assustadora. ( sim, podia comer e beber no trabalho de parto, caso eu desejasse)

Fomos para a parte de internação da maternidade e lá me conduziram para uma sala onde trocaria de roupas e seria examinada. Luis precisou ficar do lado de fora, pois como haviam muitas cesárias agendadas, não poderia estar ali naquele momento , pois haviam muitas mulheres  aguardando a hora da cirurgia ( afff, não vou nem comentar).

A obstetra chegou logo depois, e carinhosamente conversou comigo , me tranquilizou e disse para eu ir para o quarto, tomar um banho, ficar com o Luis, fazer exercícios na bola, andar… e quando sentisse que não aguentava mais, voltava para o centro obstétrico… não deu tempo, quando fui me virar, a bolsa estourou ( ui que emoção). Fui direto para o centro obstétrico, onde Isabel nasceria.

Nessa hora, Luis entrou e veio me abraçar… eu já estava com contrações muito fortes, muito fortes e achei melhor pedir a analgesia. Analgesia dada, dores aliviadas…isso eram 15 horas. A cada nova contração que vinha, eu só pedia mentalmente… vem filha amada, no teu tempo, venha com saúde…e apertava a mão que carinhosamente me afagava…

Glicemias eram medidas de tempos em tempos, e tudo corria perfeitamente bem, com o Gatorade ali do lado, um gole aqui, outro acolá… não tinha vontade de comer, nem de andar, nem de nada… sentia dores muito fortes…

E começamos a “treinar” a força para ajudar Isabel a vir ao mundo. Enfermeiras e obstetra dizendo que estava indo tudo muito bem, me tranquilizando com o diabetes a cada medida de glicose, e eu tentando encontrar a posição mais confortável para receber nossa pequena.

Força, muita força… muuuita força. Alguns segundos sem respirar quando fazia a força e na última e mais prolongada força que fiz, às 19 horas do dia 2 de Setembro de 2013… nasceu Isabel Mayumi, linda, cheia de saúde, chorando com seus pulmões a toda força… emocionando a equipe médica e a nós, pai e mãe! Isabel veio direto para meu colo, ainda com o cordão umbilical, toda rosinha, toda linda, aconchegada no seio da mãe! Emoção sem tamanho, chorei, vi meu marido chorando, a médica chorando, e tive a certeza de que tinha feito a escolha certa! Porque sim CONSEGUI!

E assim foi… Isabel foi pro banhinho dela, eu me recuperar da analgesia, glicemia estava em 198 neste momento, a adrenalina do momento fez a glicemia subir, sem danos maiores. Fomos para o quarto, e logo depois já pude comer , tomar meu banho, dormir…

E vou dizer: foi a experiência mais linda da minha vida! Obviamente quando Lucas nasceu, foi uma emoção única, a diferença não está neles, mas em mim. Pude ser ativa e participante do nascimento da nossa filha, pude acreditar que o corpo é sábio, que foi feito para isto, e que mesmo tendo Diabetes Tipo 1, é possível com cuidado e informação, ter este momento lindo.

Claro, não poderia ter este parto em casa, porque se necessitasse, faria a cesárea, não colocaria a minha vida, nem a vida da pequena em risco. Não estava irredutível na questão cesárea, e nem sou radical com isso, só estou colocando aqui a opinião de quem passou por estas duas experiências, tendo uma doença crônica.

E aqui estou eu, 100% bem. Não ficaram “sequelas”, muito pelo contrário, logo após o parto , já estava bem, podendo cuidar do Lucas e da Bel.

Acredito sim, na sabedoria que nosso corpo, quando o conhecemos, tem. Na possibilidade de ultrapassar limites impostos quando não conhecemos de nós mesmos, na incrível possibilidade, mesmo que a maioria das pessoas duvide, de termos um parto normal.

Se tivesse acontecido algo ruim, ou eu tivesse algum problema nas gestações e nos partos, com certeza escreveria aqui, não é “um florear a história”, como muitos pensam, esta é a minha realidade, a minha experiência… só isso.  Se ajudar alguém a ter confiança, a renovar os sonhos, a dar esperança, ficarei muito feliz, porque este é o intuito.

Diabéticas tipo 1 podem sim gerar vidas, podem sim dar a luz de parto normal, podem sim viver  de forma “normal” e fazer TUDO aquilo que sonham. Basta ter cuidado, determinação, amor próprio, e uma vida equilibrada. Cuidados super especiais e regrados na gestação, no antes e no depois, aceitação de sua limitação alimentar e pancreática, e o resto, com amor e cuidado, é alcançável!

Sonhei um dia em ter um casal de filhos ( apesar de já pensar em mais, rs) e eu TENHO, sonhei um dia em entrar em trabalho de parto e passar por todas as fases dele, e eu CONSEGUI, sonhei em ver minha filha nascendo de forma humanizada, e ELA NASCEU! Porque sonho junto com alguém que faz esse sonho ser realidade, porque sonho e acredito que posso, porque sonho e deixo as pessoas negativas falarem o que quiserem, porque opto por acreditar no meu corpo, nas minhas chances, nas minhas possibilidades e tentativas. E porque não desisto, antes de tentar!

E que venham muitas diabéticas relatarem suas conquistas, e que venham bebês saudáveis de mães determinadas. Porque é possível sim! J

Beijos enormes,

Elisa

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Boas notícias : gravidez e diabetes

Hoje foi o dia de vermos nossa pequena pelo ultrasson, e sabermos se tudo está bem, dentro da normalidade ou se o diabetes está fazendo alguma “alteração”.

E para nossa alegria, alivio e certeza, está tudo  PERFEITO. Sim, apesar de ter um pouco de líquido amniótico a mais (sem causa definida), Isabel Mayumi está com peso e estatura normais para a idade gestacional! Não poderíamos estar mais felizes!

Sim, tudo normal! Uma gestação com a alegria de poder saber que está dando certo mais uma vez! Não tão perfeito como a primeira, mas com resultados tão bons quanto!

Feliz! Obrigada por cada um que torce por nós!

Diabetes tipo 1 e uma segunda gravidez: nem tudo são flores

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Olá queridos que me leem. Pensei muito se escrevia ou não este post, e decidi que escreveria, visto que, o blog tem ajudado tanta gente neste processo de Diabetes e Gravidez, que me senti mobilizada a compartilhar com vocês esta segunda gestação.

Que uma gestação é diferente da outra, creio que todos saibam, mas confesso que acreditei que seria tão “fácil e simples” como foi à primeira… Mas, para minha frustração ( sim, porque criei expectativas), ela não tem sido tão simples assim.

O início foi de bastante enjoo, vômitos e de um cansaço ( talvez por ter um pequeno em casa, não sei). Então, como não conseguia comer, as glicemias até estavam bem controladas. Passado este período, começou uma fase nova – Infecção urinária de repetição. E como é sabido, infecção e diabetes são duas coisinhas bem complicadas… Glicemias subindo sem muito a fazer, afinal, infecção faz com que ocorra descontrole glicêmico, ainda mais, grávida. Bom… passou… hemoglobina glicada em 5,9%, excelente né?!

Apesar deste processo inicial, não posso reclamar de muita coisa, não necessitei de repouso absoluto, não tive grandes complicações.

Passei por um período de estresse grande nos meses de maio e junho, e este estado emocional alterado, fez com que minhas glicemias subissem bastante… ( e cada mês que passava as doses de insulina lantus e novorapid aumentavam,obviamente pelo aumento da placenta), mesmo comendo salada, frutas e coisas integrais, o emocional influenciou bastante este período, o que fez com que , a Hemoglobina glicada chegasse em 7,1% ( uma média de glicemias em 157mg/dl)…  frustração e sentimento de culpa sem fim… ao ver este resultado, me senti impotente, falha, com medo gigante de Isabel nascer e ter hipoglicemia.  Para quem na primeira gravidez, teve glicada de 5,9% no máximo, este 7,1% destruiu um pedaço de mim.

Falta de dedicação? Falta de cuidado? Falta de esforço?! …

Mesmo comendo corretamente, não consegui manter um resultado melhor… e a consequência?! Líquido amniótico aumentado ( por isso, a barriga está enorme, pois o líquido aumentou bastante , gerando falta de ar, desconforto e muito mais cansaço) … Consequência de um descontrole glicêmico?!  Não acredito que esteja tão ruim, mas compartilho isso aqui para dizer: o mínimo descontrole glicêmico, pode gerar consequências bem complicadas ( aqui ainda não sabemos bem ao certo se é muito preocupante ou não). E uma segunda gestação, exige um esforço triplicado, pois o corpo já passou pelo processo uma vez, consequentemente, já sabe como reagir e isso complica mais.

Placenta produzindo Hormônios contra insulina dificultam muito os controles, mesmo que você tente ser “perfeito” ao longo de toda a gestação.

E não estou compartilhando isso para piedade não, mas para alertar dos riscos, para dizer que mesmo se esforçando muito, as coisas podem sair do controle sem você esperar, e para pedir que , mulheres diabéticas e as não diabéticas que podem vir a desenvolver diabetes gestacional, por favor, se cuidem, tenham responsabilidade e saibam que mesmo com tantos cuidados, podemos sim ter complicações. Diabetes não é brincadeira, e não é frescura! Os cuidados são essenciais, as restrições são sim necessárias, a tranquilidade e a emocionalidade são muito importantes para que tudo transcorra bem!

E sim, você precisa de auxílio, precisa se cercar de pessoas que te ajudem neste processo, que te ajudem a se manter firme, e que possam estar ao teu lado , caso não seja tão perfeito quanto o esperado. É sim uma gestação de ALTO RISCO, e volto a dizer: não é frescura!!!!!!!!

Estamos bem, apesar do líquido aumentado ( e saberemos o  quanto em breve) , conseguimos chegar nas 35 semanas ( quase 36) até o momento , e estamos nos preparando para um parto normal ( sim, um sonho de diabética tipo 1, dar a luz naturalmente, sem intervenções) e se for possível, ter nossa bebê conosco no quarto, logo que nascer, assim como foi com o Lucas Takeo, menino cheio de saúde que veio ao mundo para nos alegrar!

Apesar do sentimento de “não dei conta perfeitamente desta gestação”, meu coração se alegra por tudo estar bem até aqui, se alegra por poder também compartilhar com outras pessoas das dificuldades e alegrias deste momento especial, por poder alertar dos riscos ( que talvez eu só soubesse de ler, mas que hoje sinto na pele) e por poder dividir com quem sonha como eu em ser mãe, que o diabetes é um complicador, mas que podemos sim, sonhar e realizar esta bela vontade de gerar uma vida de forma responsável. E que mesmo tentando dar o seu melhor, as complicações podem surgir e não se culpar por isso, é também essencial!

Por isso, escrevo este post hoje, para me colocar como este ser não perfeito, que teve a primeira gestação super bem, e que na segunda está com um pouco mais de dificuldades, mas que tem fé de que tudo sairá da melhor forma, e de que estes momentos mais apreensivos, não serão nada comparados a alegria de ter nossa família completa!

Aceitação e cuidados: devaneios de uma mente preocupada!

Após alguns dias com o controle glicêmico mais complicado, precisando comer somente saladas e frutas para que tudo ficasse “normal”, aumentando doses de insulina basal e rápida, me “bateu” aquele momento:  “mas que droga esta diabetes mesmo, melhor seria se eu não a tivesse”. E aí com este simples pensamento , os demais começaram a vir: “porque comigo?” , ” não merecia este trabalho todo”, “ ninguém entende o quanto é difícil”, e seus afins.

É, altos e baixos de quem convive com uma doença crônica.

 E é muito verdadeiro o sentimento de que, mesmo sabendo muito da doença, quem não VIVE ela no próprio corpo, não SABE o que passamos. Pode até fazer uma ideia mas jamais saberá ao certo, o quanto cansa, o quanto é doloroso em muitos momentos, o quanto é chato e o quanto dá trabalho!

Sim, ter diabetes dá muito trabalho. Trabalho de contar carboidratos, calcular doses, trocar agulhas, cânulas, furar várias vezes por dia a barriga, perna, braços e os dedos, ter hora para comer ( sim, ter diabetes exige rotina). Ter vontade de comer e em muitos momentos, não poder ( sim podemos comer tudo, mas com cautela, com discernimento, e nesta fase gestacional, em muitos momentos não dá para comer mesmo o que se tem vontade), etc, etc.

Incomoda sair para comer fora e os outros ficarem olhando como se você fosse um “E.T”, afinal, está tirando sangue do dedo, está espetando uma agulha na barriga, e não foram poucas às vezes, em que vi pessoas chamando a atenção de outras para “olharem” (e comentarem, claro), como se fosse algo de “outro mundo” injetar insulina. E sim, isso chateia e muito! Fora as tentativas, muitas vezes por carinho, de controlar aquilo que comemos e a hora que comemos: “mas você pode comer isso?”, “Olha, cuidado, ACHO que você não deve comer aquilo”… Sabemos bem que é tentativa de cuidado por parte de quem está perto e sabe da condição de saúde, mas já parou para pensar se fosse com você?!

Cada qual sabe de seu próprio organismo, de suas necessidades, vontades, e limitações, não é mesmo?! 

Agora, você diabético deve estar concordando comigo em tudo isso. Mas já parou também, para se questionar se realmente está cuidando de seu organismo de uma forma a não ter sequelas mais para frente?

Após passar por estes momentos de “revolta”, me coloquei também no lugar de quem está ao nosso lado… Nossos pais, namorados, maridos, filhos, amigos… aqueles que verdadeiramente querem nosso bem. Não deve ser fácil, ver alguém que amamos em uma tentativa de “se matar”. E sim, se você não se cuida, o diabetes pode gerar complicações graves, e destas complicações, o óbito ser uma possibilidade.

Duro, cruel?! Talvez possa ser, mas é este o sentimento de ver quem amamos, se destruindo, seja a forma que for esta destruição (drogas, irresponsabilidade, comer demais, beber demais, não se cuidar…).

Não é fácil conviver com uma doença crônica, que exigirá cuidados pelo resto de nossas vidas, cuidados que nós vamos ter conosco (nem a mãe, nem o pai, nem o amigo, nem o marido, nós!); mas, também não é fácil, saber que por causa de negligência em cuidados hoje, possivelmente alguém terá que cuidar de nós o resto da vida, dependeremos de alguém para este cuidado e, portanto, nossa liberdade também será cerceada, e continuaremos com alguém que nos precisará “controlar”.

Não é fácil aceitar a condição de limitação, e não precisamos o tempo todo, achar bom, estar bem… Precisamos o tempo TODO cuidar de nosso organismo, mesmo quando estivermos saturados e com vontade de desistir. Precisamos falar desta saturação, para que ela não se exceda e acabe causando problemas maiores, precisamos confiar que na maior parte do tempo, quem está ao nosso lado está verdadeiramente querendo ajudar, e só nos deixará “livres” quando puder confiar que sabemos mesmo nos cuidar e pedir ajuda quando necessitarmos.

 E sim, escrevo muito disso para os adolescentes que vivem este momento. Adolescentes como eu fui um dia, com diabetes, com limitações, com vergonha, com minhas revoltas… adolescente que aprendeu a se cuidar, e que hoje, como mulher tem a oportunidade de gerar vidas, vidas saudáveis, com gestações tranquilas!

Aos que me leem… hoje fui tocada a escrever por saber de adolescentes que não poderão  ter tanta tranquilidade na vida adulta, pois já tem sequelas desta doença que não perdoa aqueles que não sabem se cuidar. Fui tocada a colocar meu coração aqui, como pessoa, como mãe, como mulher, como diabética. 

Vivo hoje uma fase linda da vida, gerar uma vida em meu ventre. E a vivo, por ter aceitado a minha limitação, e usado ela para achar novas possibilidades e não como pedra no meio do caminho. Vivo este momento, por ter aceitado que esta é a forma mais saudável de se viver:  comer equilibradamente, fazer exercícios, e cuidar do meu maior patrimônio que temos, nosso corpo, nós mesmo!

 Cuidando de uma forma zelosa, é possível sim “passar” dos limites às vezes, se dar ao privilégio de um “petit gateau“, de um espumante, de um rodízio de pizzas…  Então, fica meu pedido, de que, se não for possível ainda aceitar tuas limitações, converse com alguém, desabafe, coloque para fora… coloque tudo para fora, a revolta, o choro, a raiva , a tristeza , tudo…  E tente, por favor, tente olhar de outra forma, ver as coisas positivas e as possibilidades de vida “normal”… o ruim sempre fará parte, mas ele só prevalecerá, se deixarmos tomar conta…caso contrário, podemos usar a dificuldade como alicerce fundamental de uma vida que dá gosto de ser vivida 😉

 

Beijos

Elisa

 

Diabetes Tipo 1 e Gravidez: uma nova história

Olá, quanto tempo longe deste blog. Peço desculpas pela falta, mas o tempo anda super corrido!

Então, nosso primeiro fruto de amor, Lucas Takeo já está com 2 anos e 4 meses. Sim, tudo isso! É um menino lindo e saudável, serelepe, esperto e muito, muito especial. Fruto da superação e da determinação de ter uma gestação saudável até o final, mesmo tendo Alto Risco.

E não é que decidimos nos aventurar mais uma vez por este caminho de cuidados mais intensos, preocupações e muitas alegrias?! Sim, estamos grávidos de 26 semanas ( 6 meses) de uma menina! Isabel Mayumi!!!

E por este motivo, estou aqui… para contar um pouco desta nova experiência em ser gestante de alto risco. 

Acho que a segunda gravidez me deixou muito mais tranquila que a primeira, afinal, agora já sei que tudo pode correr super bem, se estiver disposta a abrir mão de algumas coisas e me esforçar em outras.

Até o momento, as glicemias andaram bem controladas, e confesso, não cuidei da alimentação tanto quanto da primeira, porém, com muitos enjoos e crise de Hiperemese Gravídica, não foi tão difícil de conseguir, hehehe.

Parece que o cansaço é muito maior nesta segunda gestação, visto que tenho um pequeno em casa também, e que  a barriga já apareceu muito tempo antes do que na primeira.

Entramos numa fase de difícil controle, qualquer alimento, pode causar um grande descontrole glicêmico. As doses de insulina dobraram, e a alimentação ficou mais restrita…apesar de bater um desânimo em muitos momentos, sei que é por uma ótima causa.

Desta vez, tentaremos fazer um parto natural na água, acompanhados por doula e médico, no hospital. Se as glicemias estiverem bem controladas, podemos levar a gestação até as 40 semanas ( isso mesmo, controlando bem, podemos sim, DM1, ter parto no prazo final).

E sim, podemos ter parto natural, normal, o que for, não necessitando da cesária. Obviamente, se tudo estiver bem… se não estiver, também existe cesariana para nos ajudar, não é mesmo?!

Rapidinho hoje, escrevi apenas para deixar aqui registrado, a importância dos cuidados, do conhecimento de seu corpo, da aceitação do diabetes em nossas vidas. Só desta forma poderemos controlar esta doença ( e sim, é uma doença crônica) que nos traz tantas dificuldades quando não bem controlada. É possível ter uma vida NORMAL! É possível estar bem sim… por isso, meninas, mulheres, meninos e homens, cuidem-se! Vivam, curtam, andem, corram, dancem… a vida tem muito a nos oferecer, e não podemos desistir nas primeiras batalhas que nos são impostas, não é mesmo?! 

Aí estou eu, Diabética tipo 1 , insulino dependente, mãe de um filho saudável e gestante de outra bebê saudável! Vivendo, trabalhando, me cuidando e podendo transmitir para vocês esta alegria que me preenche, de saber que por mais dificultoso que seja, por mais trabalhoso que seja, a vitória, as alegrias e uma vida saudável, valem cada batalha do dia-a-dia!

Escreverei mais sobre esta segunda gestação, sobre o parto e tudo o mais! Espero que gostem e que ajude, a quem precisa! 🙂

Beijos de nós 4!

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Receita de bolo

Estes dias estava eu , cozinhando… e me dei conta de que não sigo as receitas. Sempre coloco algo que eu considero que vai dar um sabor diferente ao prato, ou um pouco mais do ingrediente que eu gosto, enfim. E as vezes, sigo ao “pé da letra” a receita, e no meu forno, acaba não dando muito certo.

E aí fiquei pensando, nossa, como é estranho ter “receita pronta” para as coisas, como alguém pode saber exatamente aquilo que gosto ou preciso?! E como em muitos momentos, eu mesma sigo uma receita que não é minha.

E isso se ampliou para a vida…  fiquei olhando o post anterior a este, com uma “receita” de alimentação saudável. Ok, concordo que precisamos de um norte as vezes, mas receita pronta não serve para nada além de  dar uma direção, o resto, cada um sabe como, quando e o que fazer para seu organismo , vida, etc.

Foi inevitável pensar em quantas vezes queremos respostas prontas para nossos problemas, o quanto queremos receitas de como viver, de como criar nossos filhos, de como ter uma vida saudável com ou sem diabetes. Gostamos e não gostamos ao mesmo tempo das respostas prontas. Queremos e não queremos ao mesmo tempo, mas é  mais fácil o outro me dizer como fazer né?! E aí eu questiono, será?! Será que é  fácil ou cômodo seguir o que o outro te diz?

Nada na nossa vida tem receita, nada tem um fórmula secreta….quer dizer, fórmula secreta até tem, ouvir seu coração, se conhecer, saber o que é melhor para você ! Conhecer-se é a chave de muitas “receitas”, é o grande presente que temos dia-a-dia. O que serve para o outro, para o filho do outro, para a vida do outro, não é , necessariamente o que serve para você! O alimento que o outro come, a forma de viver, a casa, as roupas, o cabelo do outro, são o que o outro tem e talvez descobriu ser o melhor para ele, e não para a sua vida!

Fico pensando na moda, tantas coisas lindas… mas será que fica bem em você?! Será que é seu estilo?! Se é, ótimo, mas se não é porque ser “escravo” deste “dito pelo outro”?!

Infelizmente, tendemos a não olhar nossa vida com a realidade que ela necessita. Tendemos a deixar passar nossas verdadeiras necessidades, para ser ou estar como o “outro” ( e por outro me refiro a tudo, sociedade, família, amigos, namorado, etc) quer ou deseja que seja.

Queremos nos encaixar em uma forma em que muitas vezes não cabemos, e estar nesta forma, machuca. Machuca de uma forma, muitas vezes, tão dolorida, que não queremos “sair” dela, porque sair  sinaliza uma dor maior… perdemos de vista a cicatrização que ocorre se estamos dispostos a tratar nosso “ferimento” e sair daquele lugar que nos está machucando.

Não precisamos nos encaixar na teoria da “felicidade a todo custo”, e em tantas outras coisas que a vida nos mostra como sendo o melhor.  Precisamos sim, parar um pouco de seguir os “ensinamentos” e refletir mais sobre eles… refletir sobre o que queremos, pensamos, somos.

E  “ser” é tão maior do que o que pensamos, tão maior do que uma resposta pronta. Ser é ter movimento, é estar disposto a mudar, a repensar, a reaprender, a viver, e maior que isso também!

Fico olhando, muitas vezes, o movimento de nós, diabéticos, tentando doutrinar a vida do nosso semelhante diabético, dizer onde está errando, falar o que deve fazer e não deve fazer, mas será que é assim mesmo?! Será que o outro não pode olhar para sua rotina e ver o que lhe cabe e o que não lhe cabe?! Dar um direção é uma coisa, querer fazer dele um igual, é outra. Somos diferentes, e por isso mesmo, únicos. Temos semelhanças, nunca igualdades.

E sim, isso vale para todos, não apenas para os diabéticos. Vale para as mães e pais, para avós, para amigos, para maridos e esposas, para os “patrões” e empregados, enfim…

Gostaria de “escutar” os ecos disto em você que lê o blog… adoraria saber sua opinião sobre o assunto, saber se faz sentido ou não, saber de você!

Beijos ,

Elisa

Vamos abafar a emoção com um doce?

Estou querendo escrever este post à muito tempo, porém, a correria e as obrigações diárias, junto com mil projetos, me deixaram sem escrever por um tempo.

Mas vamos lá… continuando o que iniciei a algum tempo quando escrevi este post :https://docedia.wordpress.com/2012/04/06/cuide-de-sua-alimentacao-antes-durante-e-depois-da-gravidez/  que relaciona alimentação saudável antes, durante e depois da gravidez , gostaria de continuar na temática, alimentação saudável.

Ter filho me deixou com uma sensação de responsabilidade muito maior do que eu já tinha, uma alimentação ainda mais equilibrada, e não só isso, mas tenho a oportunidade de reavaliar hábitos e repensar um pouco como a sociedade gera a cada dia, crianças, adolescentes e adultos, que compensam suas frustrações nos alimentos.

E explico: fui ao posto de saúde, vacinar Lucas contra a gripe. Fiquei observando as mães ao  redor, para minha surpresa, quase todas elas estavam ou com uma bala , ou pirulito ou prometendo sorvete após a “picada”. Esta cena me fez parar e pensar um pouco mais nestas situações. Não é raro ver em shoppings , mercados, ou em qualquer local público, mães e pais ( avós, tios, primos) “abafarem” o choro de uma criança com alimentos. E não , não é fome que elas sentem, mas em muitos momentos frustração ( tão natural à vida humana) por não conseguirem o brinquedo que querem, ou sair correndo por aí, ou mesmo , a atenção do pais, ou alguma dor.

Tendemos a “calar” as emoções com alimentos, principalmente, com doces, forma mais eficaz de se sentir “feliz”. Mas será mesmo?

Aprendemos desde muito cedo, que as emoções não são bem vindas, afinal, “é melhor ser alegre que ser triste
alegria é a melhor coisa que existe” , parafraseando Vinicius de Moraes. E não estou dizendo que ser alegre não é bom, o que quero trazer para reflexão é o hábito tão prejudicial de calar emoções com comida, e pior de tudo, ensinar isso para as crianças ( afinal, só podemos ensinar aquilo que nós mesmos fazemos…), que se tornarão adultos que repetem estes hábitos  e o ciclo continua infindavelmente.

Por isso, ouvimos tanto o famoso “tadinho, tem diabetes, não pode comer doces”.  Em uma sociedade que compensa ansiedades, tristezas, frustrações com comidas , é natural a tendência de sentir “pena de quem não “pode” “comer uma caixa inteira de chocolate, um pote todo de sorvete, uma lata de leite condensado. ( ou mesmo um bom tanto todo dia)

A questão é: ninguém deveria fazer isso, ninguém deveria comer desmedidamente, qualquer que for o alimento.

Alimentação saudável começa em casa, e desde antes do nascimento. Maus hábitos são passados adiante, por pura “preguiça” em lidar com choros, birras, ou  avaliar o que está fazendo com que me sinta ansioso ou triste.

Comida é usada como compensação: “se comer tudo, ganha um chocolate depois “, “dou um doce para você se você fizer as tarefas”, “depois do médico vamos tomar um sorvete”, e por aí vai…  e não sou contra doces, o que estou  dizendo é: será mesmo necessário associar comida como recompensa?, será que não é possível lidar com os “nãos” da vida ( inclusive nós adultos) com maturidade e autenticidade? Será que não é possível lidar com a realidade sem necessitar “entupi-la de “doce”” ?

Desde muito cedo adquirimos os hábitos alimentares que nos nortearam a vida toda ( ou quase toda) e o problema não está somente na comida, no doce, mas no engolir as emoções, as dores, os sofrimentos, por não “poder” ser aceito como está, no momento vivido ( e não ser aceito por si mesmo). Uma picada de agulha na perninha de uma criança dói, e porque não podemos ficar com esta dor ao invés de fingir que a dor vai ser menor com um doce?

Porque não podemos deixar que aquele sentimento, bom ou ruim, nos tome e nos mostre qual o motivo e como é sentir o que estamos sentindo, ao invés de abafar tudo?!

E aprendemos sim, desde bebês a compensar com alimentos aquilo que não damos “conta” ( e que inicialmente era um “eles” ( os cuidadores) não dão conta).

Tenho milhões de idéias fervilhando nesta mente inquieta que tenho, e gostaria muito de ouvir vocês que passam pelo blog… tenho muito ainda para escrever sobre este assunto, mas não gostaria de escrever sozinha, se puderem me dizer o que pensam, ficarei muito feliz, e receberei cada comentário, sugestão ou crítica. 🙂

Um beijo em cada um que aqui passa