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Diabetes e Emoções: é verdade que o emocional desequilibra a glicemia?

Estou a algum tempo querendo escrever sobre este assunto,  e eis que surge o dia de escrever, comentar e saber um pouco do quanto as emoções influenciam no bom ou mal controle glicêmico, e se isso é verdade.

Pois bem, quem é diabético, já teve ter passado por algumas situações emocionais, onde se viu , além de alterado emocionalmente, com um descontrole glicêmico.  E sim, se pararmos para nos perceber, se observarmos nosso corpo, veremos sim diferenças glicêmicas quando ocorrem situações de estresse, tristeza ou mesmo euforia ( e estas, como emoções básicas;  existem muitas outras).

Há quem diga, que existe ” Diabetes emocional”, e me desculpem, tenho que discordar. Diabetes é uma alteração que pode ser desencadeada por fatores emocionais, porém, ela não existe somente pelo emocional, as pessoas precisam ter alguma predisposição genética também! Portanto, o diabetes NÃO é causado emocionalmente, ele pode ser DESENCADEADO, por fatores emocionais e ambientais.

Ok, mas e aí, como então você me diz que o controle glicêmico pode ser afetado pelo emocional?!

Estados emocionais não apenas desencadeiam, como podem agravar o diabetes, visto que, durante uma situação de desequilibrio emocional, o corpo libera hormônios, que terão ação contrária à insulina, como por exemplo, a adrenalina, o cortisol, etc. Hormônios que agem contra a ação da insulina, fazem com que as glicemias se alterem, e portanto, desequilibrem o estado de “controle glicêmico”.

Então , podemos dizer que as emoções, terão consequencias fisiológicas , que desencadeiam uma série de ações no organismo como um todo. Nenhuma reação do nosso organismo, ocorre por acaso, vários fatores influenciam, incluindo o estado psicológico do indivíduo.

Desta forma, é necessário que saibamos mais de nosso organismo, que tenhamos conhecimento de nossas emoções, e do quanto elas afetam a nossa vida. De nada adianta cuidar da saúde apenas com medicamentos, é necessário que valorizemos aquilo que nos faz “ser” neste mundo, ou seja, que valorizemos nossas emoções, nossas sensações.

Acredito que cada um , sabe de seu organismo , muito mais do que qualquer outra pessoa, e que aquilo que é bom para mim, seja na forma de cuidado, seja na forma de alimentação, exercícios ou o que for, nem sempre cabem para o outro.

É necessário que , tenhamos saúde emocional para saber lidar com as situações adversas da vida, e se não damos conta sozinhos, sim, se faz necessária a ajuda de um profissional.

E claro que “defendo” minha profissão de psicóloga, não por querer  lucrar com isso, mas por ter “sentido na pele” a diferença de ter alguém me acompanhando na caminhada da descoberta, aceitação e cuidados que o diabetes exige ( como qualquer outra doença ou problema). O auto conhecimento, a permissão das sensações no nosso organismo e aceitação de que não somos “auto suficientes”, nos faz ter uma qualidade de vida muito maior, e com ela, no caso do diabetes, um controle que pode ser essencial.

É verdade então que o emocional influencia no diabetes sim,  e gostaria muito de ouvir a opinião de vocês quanto à isto. Se já notaram diferenças glicêmicas, se faz sentido ou não para vocês tudo isso, se fazem acompanhamento terapêutico, enfim!

Aceito sugestões, críticas, cometários. Espero em breve conseguir escrever mais profundamente sobre o assunto!

 

Um beijo,

Elisa

“É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão”.

Hoje o tempo por aqui está cinzento, chuvoso…com ventinho frio entrando em todos os cômodos da casa.

Enquanto o pequeno dorme, vim para meus livros, estudar, como habitualmente tenho feito… em meio aos livros, ao silêncio que tem ficado na casa, comecei a refletir sobre a vida, as mudanças que acontecem sem a gente esperar, a necessidade de flexibilidade para lidar com tais mudanças e principalmente, com os dias que como hoje, chegam com suas intempéries repentinas.

Sim, nossa vida é cheia de momentos bons, mas também, de momentos de dor, sofrimento, angústias, medos e de problemas com as mais diversas áreas de nossa vida. Costumo dizer no consultório, que se a vida fosse uma linha reta, sem altos e baixos, a gente estaria “morto” … é o sobe e desce da vida, que faz com que ela exista, como nos batimentos cardíacos, um sobe e desce constante para que o coração continue a pulsar. Assim é a vida…ela pulsa!

Uma vida para pulsar depende de vários fatores: comer, beber, dormir, fazer exercícios físicos, trabalhar, estudar, ter amigos… ter dias de sol mas também dias de chuva. Se só existisse o sol, seria muito difícil viver, afinal, sol demais queima, esquenta, desidrata. É necessário que a noite exista para que o cérebro descanse, para que a vida dê uma “parada” no ritmo; é necessário chuva, para hidratar, limpar, levar embora a “sujeira” que existe.

Pois é…todos queremos dias de sol, de alegria, de bons momentos, mas dificilmente nos damos conta de que nosso crescimento maior se dá, quando os problemas aparecem e conseguimos nos aquietar e refletir , pensar, questionar, chorar e elaborar da melhor forma esta ou aquela dificuldade.

Os dias de chuva nos são essenciais… não apenas eles, mas o equilíbrio entre a luz e a sombra de nossas vidas. Se jamais estivermos dispostos a olhar o lado mais sombrio de nossas vidas, não estaremos aptos a crescer e desenvolver aquilo que temos de potencialidades.

Não sei quais são os teus “dias chuvosos”, pode ser o diabetes, pode ser outra doença, problemas financeiros, no casamento, com amigos, ou o que for que esteja acontecendo em tua vida. Tenha certeza de que esta “chuva” tem sim seu lado de sol, e que ela é necessária para que possas olhar a vida de forma realista e encarar os teus dias, com mais calma, abertura e flexibilidade.

Deixo (novamente) a história do Bamboo Chinês. Gosto muito desta história, e não é para menos que o  significado do nome do meu pequeno quer dizer “bambuzal iluminado”.

Espero que , de uma forma ou de outra, esta pequena reflexão possa ter feito algum sentido para alguém que aqui passar!

 

 

História do Bamboo Chinês

Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada por aproximadamente cinco anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo.

Durante cinco anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas uma maciça e fibrosa estrutura de raiz que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída. Então, no final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros. Um escritor de nome Covey escreveu:

“Muitas coisas na vida pessoal são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e às vezes não vê nada por semanas, meses ou anos. Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu quinto ano chegará, e com ele virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava…” O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos e de nossos sonhos…

Em nossos relacionamentos especialmente, que é um projeto fabuloso que envolve mudanças de comportamento, de pensamento, de cultura e de sensibilização,devemos sempre lembrar do bambu chinês para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão. Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida: a Persistência e a Paciência, pois você merece alcançar todos os seus sonhos.

“É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão”.

Valor da vida!

Abra a janela de seu coração e veja a beleza que se esconde dentro dele!

Um lindo dia de sol começa a raiar nesta bela cidade … luzes apagadas, pessoas dormindo e um silêncio nas ruas que habitualmente não “vemos”. O dia começa bem cedo aqui depois que o Lucas nasceu… tenho tido o privilégio de ver o sol nascer, com suas cores sendo espelhadas neste lindo mar que temos na nossa frente! Maravilhas da natureza antes não vistas por estar “ocupada” demais com o sono que não conseguia me deixar despertar.

Tenho pensado muito nos últimos tempos sobre os maravilhosos detalhes da vida que perdemos, que não valorizamos ou que simplesmente deixamos passar em branco por estarmos querendo sempre mais e mais, ou por não termos “tempo” para nos deixar tocar por esta imensidão de cores, sabores, aromas que  a vida nos dá! Nos ocupamos muitas vezes com coisas não necessárias , que não nos acrescentam em nada, que nos fazem perder “tempo” de vida, tempo de convivência, tempo de aproveitar!

Depois que nosso pequeno Lucas Takeo veio ao mundo, me deparei com uma rotina cheia de coisas. Cuidar dele, cuidar da casa, cuidar do meu trabalho( sim estou trabalhando desde que Lucas completou 2 meses), cuidar do diabetes. Dias cheios de atividades que só acabam muito tarde da noite… uma rotina que poderia ser desculpa para  não ter tempo para coisas e pessoas significativas em minha vida.

Mas tem acontecido exatamente o contrário, tenho aprendido a aproveitar cada espaço de tempo que possuo, cada minuto de vida, cada momento agradável ou não do meu dia! Tenho visto o sol nascer e aproveitado para regar minhas plantas, caminhar no sol com o pequeno, tomar um café bem preparado ( amo café da manhã)… e em meio as deliciosas coisas da vida, tenho realizado minhas “tarefas” diárias e cuidado do meu corpo.

Não é fácil ser mãe, esposa, dona-de-casa, profissional e ter diabetes. E não falo isso porque a “doença” em si é meu problema maior, mas porque como diabética tipo 1 preciso ter os cuidados de me alimentar em horários fixos ( ou o mais próximo deles, pois injeto insulina que vai agindo sem meu controle), de fazer exercícios físicos, de ter uma alimentação balanceada ( e portanto fazer estas refeições, o que exige um certo tempo), de medir a glicemia pelo menos 6 vezes ao dia e não esquecer no meio das tarefas todas, de injetar insulina.  Algumas pessoas tem me enviado email pedindo para contar desta rotina de cuidados pós gestação ( e aí tem um post no blog sobre isso), mas escreverei sobre isso em outra oportunidade ( e entenda-se por oportunidade, o Lucas estar dormindo, rsrs).

Mas sabe, tenho aprendido a viver melhor após o nascimento do Lucas, e isso inclui cuidar melhor do diabetes, visto que me sentindo melhor, a glicemia se mantém sem tantas alterações ( também tema para outro post – as emoções e o diabetes).

Aprendi nestes 4 meses que a única coisa que necessitamos verdadeiramente na vida, é ter o coração disposto a amar. A mente aberta ao novo e a possibilidade de tirar o melhor de situações simples. Entendi que a qualidade de tempo que eu passo com as pessoas é mais importante do que a quantidade dele… porque de nada adianta passar 5 horas com um amigo, quando seu coração e alma não estão ali presentes! Aprendi a valorizar pessoas que realmente se importam comigo, não por interesse, mas por amor, amizade, carinho… e a fazer uma “limpeza” naquelas pessoas que nada tem a disponibilizar.

Entendi que dinheiro nenhum no mundo compra minha tranquilidade e que status é para mostrar aos outros o quanto se tem a ilusão de ser melhor, portanto, quem verdadeiramente TEM alguma coisa, não precisa mostrar ou se vangloriar, simplesmente tem e isso basta!

Aprendi que o respeito é a chave fundamental da vida, pois é a partir dele que podemos ser pessoas melhores, em todos os aspectos da nossa vida… se aprendemos a respeitar a nós mesmos e aos demais, deixamos atitudes egoístas se tornarem verdadeiro altruísmo, e isso sim constrói relações melhores e torna nosso dia-a-dia mais iluminado.

Aprendi tanto com alguém tão pequeno, e que tenho a honra de chamar de filho! Tenho muito mais para escrever, pois meu coração transborda de luz e agradecimento por tudo aquilo que tenho podido experimentar na minha nova vida! Mas me contenho em ficar por aqui com este post, pois quero aproveitar o tempo lindo que temos hoje lá fora…

Lembre-se sempre:  A beleza e o valor verdadeiro das coisas não está no preço que elas possuem, nem no objeto que elas são, seu valor e beleza encontra-se nos olhos de quem  vê… pois se os olhos são capazes de reconhecer a beleza e valor da vida, quer dizer que o coração deste alguém que vê está transbordando destes verdadeiros sentimentos.

Um beijo grande em cada um que aqui passa, e até breve!

Filhos…

Os Filhos são do mundo

Não eduque o seu filho para ser rico; eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não apenas o preço.”

Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autónomos, libertos, até de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos. Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.

Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo correctamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!

Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente. E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!

Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os filhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo. O problema é que meu coração já é deles.

É a mais concreta realidade. Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas ‘crias’, que mesmo sendo ‘emprestadas’ são a maior parte de nós!!!

“A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver ”

José Saramago

Reflexões de um ano de vida

Mais um ano se completando, um ciclo de vida se fechando… e as reflexões presentes nestes 365 dias de vida continuam a habitar minha mente e povoar meu coração e corpo de sensações, sentimentos, emoções.

No ano passado, mais ou menos nesta época de meu aniversário, engravidei… um novo mundo se abriria em minha vida, um mundo de medos, receios, preconceitos, lutas, coragem e muitas vitórias. Um ano cheio de emoções! Ano do nosso casamento , ano da gravidez, ano de mudanças no trabalho e na minha forma de ver a vida.

Pois é… mais um ano se passou, e no dia 14 de Maio, fecha-se este ciclo e inicia-se um outro, cheio de “dias em branco” para que eu escreva da forma que eu desejar. Neste ano que passou, tive o privilégio de gerar uma vida, uma preciosa vida ao qual vocês acompanharam e torceram comigo. Gravidez e diabetes pareciam não combinar… mas só pareciam, porque a gravidez foi de cuidado, zelo e amor, o que possibilitou tranquilidade e um parto sem problemas, com direito a ter meu filhote em meus braços nos primeiros momentos de vida, e desde então, não sair mais de meu colo! 🙂

Pois é, sou uma mamãe agora…meu primeiro aniversário com Lucas Takeo comigo… que emoção, que alegria, que gratidão!

O diabetes tornou-se um “aliado” aos meus bons costumes, um aliado da minha saúde… um motivo para me alimentar melhor, me exercitar, me cuidar e ter uma qualidade de vida melhor. Uma escolha de vida mais saudável, menos estressante, mais flexível. E quem ganha com isso?! EU, meu filho, minha família!

Mais um ano de vida convivendo com o diabetes… e eu disse ANO DE VIDA!!!! Sim, porque ter diabetes não me impede de ter uma vida boa, apesar de algumas pessoas acharem que não, o diabetes é apenas um detalhe ( que me exige bastante) de minha doce vida.

Mais um ano se inicia… e desejo que com ele eu possa colher bons frutos… que os amigos ( mesmo poucos) sejam verdadeiros, que as dificuldades sempre me ensinem algo, que o diabetes possa ser sempre um aliado e não um inimigo, que as riquezas sejam de saúde, amor e alegrias e que meu bem maior possa ser sempre esta família linda que estou construíndo e os amigos amados e verdadeiramente interessados em estar junto!

Que venha mais um ano novo de vida! Que venha com tudo de bom que possa ter!!!!

E vamos comemorar o milagre de estarmos vivos a cada novo dia!

Felicidades para vocês sempre! 🙂

Respeito é fundamental

Bom dia! Que lindo dia faz aqui em Florianópolis, sol lindo e tempo frio… um outono fantástico. Estamos no Mês de Maio… particularmente, um dos meses que eu mais amo. Pudera né?! É o mês do meu aniversário, mês das mães, mês de orquídeas lindas…

Estou aqui sentada, admirando meu pequeno filhote que  completa 3 meses de vida… uma gratidão que transborda em meus olhos em forma de gotas de amor… gratidão pela vida, gratidão pelos ótimos momentos e também pelos difíceis que já passamos, gratidão até mesmo por esta tal diabetes que me acompanha (e a tantos que me lêem).

Você pode se questionar, como assim gratidão pelo diabetes? Uma coisa tão ruim? Difícil?

E eu digo, sim, gratidão… não pelo fato de ter uma doença crônica, mas pelo simples fato, de que ter diabetes me tornou alguém mais cuidadosa, mais respeitosa, mais humana. Não, não é necessário ter uma doença crônica para aprender tudo isso, mas sinceramente, acredito que o diabetes veio para me ajudar em muitas coisas.

Esta semana, me deparei ( como muitos) com uma nota no Facebook, de uma estudante de medicina que falava sobre o diabetes. Uma nota preconceituosa e descabida de qualquer informação plausível. Um desrespeito sem tamanho com os diabéticos e seus familiares. Depois de passada  a raiva que senti, pude refletir sobre o ocorrido e me dar conta de que a falta de humanidade das pessoas, muito se deve ao fato de não conhecerem, não saberem e pouco se importarem com as necessidades, limitações e deficiências alheias. A dor do outro é menosprezada pelo simples fato de “não sabermos como é”, não nos colocarmos no lugar das pessoas.

Acredito que preconceito é não buscar informações à respeito das coisas, é achar que sabe mais do que os demais, é supor que seus “conhecimentos” são maiores e melhores do que os de outras pessoas.

Ter diabetes me mostrou que a informação é nosso maior aliado, que cuidados com a saúde são BÁSICOS para qualquer pessoa, que ter uma “limitação” não nos impede de ter uma vida “normal” ( e aí questiono o que é normal… porque cada qual tem seus valores e conceitos quanto à isto). Ter diabetes não me impediu de ter um filho saudável, muito pelo contrário, me ajudou a ter uma gestação equilibrada e saudável para o bebê que era gerado, com uma alimentação equilibrada, exercícios físicos e muito cuidado com meu corpo e com o o bebê. Cuidados que qualquer gestante deveria ter, que qualquer pessoa deveria ou poderia seguir. Cuidados de amor que me possibilitaram estar com meu filho logo que ele nasceu, e ter ele todos os dias, sorrindo.

Ter diabetes me fez ter mais respeito e cuidado com as limitações dos outros, porque, se algum amigo vem na minha casa, mas sei que tem alguma limitação ( intolerância à lactose, ao glúten, etc, etc), tenho o cuidado de perguntar o que ele pode comer ( caso eu não saiba) ou de eu mesma procurar me informar sobre a doença para receber esta pessoa de uma melhor forma e ajudá-la a sentir-se confortável mesmo com suas limitações.

Ter diabetes me ensinou a importância de nos amarmos, de nos cuidarmos, por amor à nós mesmos e aos que estão à nossa volta! Ter diabetes me ensinou a compartilhar com os demais e verificar como é para eles esta vivência, pois apesar de termos a mesma “doença” cada um vive e sente ela de uma forma diferente, cada um se adapta e tem reações diferentes, e é exatamente na diferença que crescemos, que nos desenvolvemos.

Obviamente, não foi apenas o diabetes que me ensinou tudo isso, mas coloco aqui o que podemos aprender com uma doença, com uma dificuldade, com uma limitação.

Acredito que o respeito ao outro é fundamental, respeito por suas opiniões, respeito por sua forma de entender as coisas, respeito pelo ser humano que se encontra diante de nós. Mas se não respeitamos à nós mesmos, como podemos respeitar o outro?

Fica a reflexão e a vontade de poder partilhar com você que lê o blog pedaços de uma vida doce  e cheia de novas experiências.

ps. escreveria mais, mas o dever me chama 🙂

Dia dos Pais

Dias dos pais passou. Confesso que é um pouco “estranho” para mim. Posso ser considerado um “quase pai”. Tecnicamente, eu já sou pai, mas ainda não me acostumei com o título. Talvez pelo fato do Lucas ainda não ter nascido. Mas, e o que eu sinto? Eu sinto que sim, já me considero pai desse pequeno ser. Desde a notícia, tenho me pegado pensando em “comos”, “ses”, “quandos”, “porquês”, etc. E pode ter certeza que em todas as vezes me deu aquele friozinho no estômago. É engraçado tentar explicar. É um misto de medo com ansiedade e expectativa. Só posso dizer que é algo muito bom.

Além de ser pai, eu sou marido. E qual é o papel do pai/marido de uma diabética? Com certeza, o de ficar careca. Apesar de quem passar por todas as alterações ser a mulher, o homem, em certos casos pelo menos, acaba sofrendo junto, mas de um modo diferente. Não estou querendo desmerecer as mulheres, mesmo porque, só sendo mulher para conseguir aguentar. Homem é tudo frouxo. Mas a pior coisa que pode acontecer à um homem é se sentir impotente. É claro que neste momento, o homem tem que ajudar no que puder, mas o sentimento é de nada será “digno”. E isso pode acabar virando um problema. Por causa da frustração, muitos homens podem desanimar e desistir, achando que irá ajudar mais ficando fora do caminho. A típica “se não ajuda, não atrapalha”. Porém, essa é uma questão complicada. O maior erro da sociedade moderna é colocar a grávida em um pedestal, coisa que não está tão errada, mas que precisa haver um equilíbrio. No momento que se coloca a mulher em um pedestal, ela fica, automaticamente, isolada. E ficar sozinha não é algo que, pelo menos a maioria das mulheres querem nessas horas. Mas como dar toda a atenção para a mulher sem deixá-la isolada no pedestal? Simples. Não há como. A gravidez não é exclusividade da mulher. É do casal. Ou seja, é um trabalho de equipe. Não que o homem tenha que ter sua vez no pedestal. Não têm. Mas a mulher tem que saber a hora de se colocar junto do parceiro e entender, não querer/obrigar, que ele também queira fazer parte deste momento. Cada um contribui com um pouco. Cada um compreende o outro.

Mas e o diabetes? É um adicional de cuidados. Pode parecer um bicho de sete cabeças, mas é uma questão de cuidados. É claro que para uma mulher com diabetes, é necessário haver um cuidado prévio e um cenário o mais próximo do ideal possível. Mas esse cuidado serve para todas as mulheres. Assim como já mencionei antes, o estilo de vida de um diabético, é o estilo de vida que deveria ser seguido por todas as pessoas. Alimentação balanceada, exercícios físicos, e visitas periódicas à um médico deveriam fazer parte da vida de todos. Ou seja, equilíbrio.

Felizmente, para nós está dando tudo certo. A Elisa já estava com a glicada em um nível bom e agora estamos procurando tomar todos os cuidados necessários para continuar com a glicemia estabilizada.

Meu conselho aos papais/maridos: Cabelos caem, não tem o que fazer.

E lembrem-se: Consultem sempre a opinião de um profissional.

Feliz dia dos Pais!!

ps: depois coloco uma foto legal.